Entrevistas "Mulheres 3 em 1"

“Parar de trabalhar não foi uma alternativa que cogitei.” | Conheça a história da Carol Emerich.

Oi mulherada! Mais uma quarta-feira, mais uma entrevista por aqui 😉 E hoje encerramos a nossa primeira série “Mulheres 3 em 1”.  Eu simplesmente amei dividir estas conversas com vocês e espero que de alguma forma tenha inspirado e motivado vocês.

A entrevistada de hoje é a Maria Carolina Emerich, que tem 38 anos, é casada com Mauricio há  6 anos, mãe da Melissa de 3 anos. A Carol é bióloga, mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo. Trabalha há 10 anos na Suez, há 5 anos atuando na gestão de Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança para América Latina.

Carol, conte um pouco sobre a sua história. 

– Tive uma infância muito dura, após meus pais perderem tudo o que tinham. Saímos de um patamar muito alto e fomos expostos a uma dificuldade muito grande e ainda por cima em um estado diferente, saímos de MG para o ES por conta de uma oportunidade de trabalho que meu pai teve. O que mais marcou minha história nessa fase foi o trabalho emocional constante que meus pais tiveram ao me incentivarem a aproveitar ao máximo o que escola pública podia me dar, ao insistirem em manter nossos valores morais, éticos e cristãos. Isso alimentou o sonho de vencer e chegar “em algum lugar” , e melhorar a vida.

Meu pai sempre trabalhou muito, sempre foi muito dedicado à família e às pessoas e eu o admirei muito por isso, queria ser igual a ele. E assim fui construindo minha trajetória baseada em muita luta, acordava muito cedo para ir numa escola melhor, mas que era longe da minha casa. Consegui uma bolsa de estudo no 3º ano (pré-vestibular) na melhor escola particular de Vitória, mas tive que estudar muito para acompanhar a turma. E passei de primeira na Federal, o que para mim significava muito, porque certamente meus pais não teriam grana para bancar a faculdade particular. Depois do ensino superior fui aprovada num programa de Mestrado em Engenharia Ambiental também na mesma Universidade e a partir daí comecei a sonhar com um trabalho na área técnica voltada para o Meio Ambiente, minha especialidade.

Eu sempre quis ter família mas nunca foi algo que persegui fortemente. Esperava que acontecesse naturalmente, no curso da vida. E acho que foi bem isso que rolou. 

Você sempre trabalhou fora? Como foi conciliar seu trabalho após a maternidade? Pensou em parar?

– Comecei a trabalhar no primeiro ano de faculdade, aos 18 anos, como professora de Ciências/Biologia em escola pública do Espírito Santo. Desde então, nunca mais parei. Foram quase 10 anos exclusivos em educação, passando por ensino público e particular em diferentes níveis.

Quando terminei o mestrado consegui uma vaga na empresa em que trabalho atualmente. Atuei em Vitória, por quase 3 anos em um contrato de operação e manutenção de plantas de tratamento de águas em uma grande empresa instalada na cidade e depois desse período tive a oportunidade de mudar de cidade e vim para São Paulo), na mesma empresa, porém para uma função diferente e mais desafiadora. Vim sozinha encarar a cidade grande, as diferenças culturais e o desafio do novo trabalho, e acho que foi a melhor escolha que fiz. Depois de três anos decidi mudar de área, busquei outro curso, dessa vez um curso de especialização em Gestão de Qualidade, Segurança e Meio Ambiente e a empresa me deu a oportunidade de ser gestora da área para a América Latina.

Me casei com um paulista dois anos depois de me mudar para SP. Depois de dois anos de casados,  decidimos que queríamos ter um bebê ( a idade já chegando…) e a empreitada na tentativa de engravidar foi muito rápida, o que, de cara me deu medo. Mas encarei e amei. Minha gravidez foi muito tranquila, o que não interferiu na minha rotina de trabalho. Após o nascimento da minha filha tive 6 meses de licença + férias e estava super decidida a voltar ao trabalho. Parar não foi uma alternativa que cogitei.

Como você e o Maurício conciliam trabalho, filhos e casamento?

– Nossa rotina de trabalho é intensa, a do meu marido um pouco pior que a minha. Então eu administro os horários de entrada e saída da escola, onde ela fica integralmente dois dias na semana e nos outros três  dias eu tenho o auxílio da minha sogra no período da tarde. Assim seguimos desde o primeiro ano de vida da Mel. Nos primeiros meses após a licença, tive o auxílio da minha irmã mais nova, que veio de Vitoria nos ajudar.

Eu e meu marido temos muitas conversas sobre a forma de conduzir nossa família e temos nos ajeitado em relação a isso nesses três anos.

Quais são os principais desafios que você encontra hoje para ser uma mulher 3 em 1?

– Acho  que a organização do tempo é um grande desafio para nós. Num mesmo dia você pode estar super preocupada e focada em um trabalho importante para fazer/entregar e, com uma tarefa de casa do filho (que muitas vezes requer muito tempo para executar); com as questões da casa (contas, compras, organização, funcionários) e com as demandas do seu casamento (estar depilada, unhas feitas, diálogo, uma taça de vinho, disponível para o sexo), enfim.

Além disso, acho que equilíbrio emocional é o que nos ajuda a conseguir a executar bem todas essas demandas ao longo dos dias, numa rotina que nos acostumamos, e nos vemos capazes de levar.

O que te motiva a trabalhar? 

– Amo meu trabalho, amo o que faço, amo pessoas, tenho uma relação muito forte com meu trabalho, com a empresa, confesso que não sei o que faria se tivesse que parar. O sentimento é  de que não conseguiria.

Quem são suas principais referências femininas?

– Minha avó materna foi uma figura muito forte para mim, sua garra e conquistas foram muito grandes para o tempo que vivia, num contexto muito machista. Ela criou 10 filhos, trabalhava fora, guardava dinheiro para suprir eventuais necessidades, tinha o controle de todos na família.

Minha irmã mais velha também foi uma referência e motivação para mim, ela era muito dedicada à leitura, lia clássicos em biblioteca pública em nossa infância, aprendeu duas línguas sozinha, entrou na universidade pública. Eu queria muito ser como ela, eu a seguia.

Na sua opinião, quais são os caminhos para encontrar o equilíbrio entre ser esposa, mãe e profissional nos dias de hoje?

– Ponderação, respeito, diálogo, paciência (muita!!!) e dependência de Deus.

O que você e seu marido fazem para cultivar o relacionamento de vocês?

– Diálogo, carinho, parceria, viagens… amamos viajar! Isso nos dá novo ânimo sempre.

Por fim, o que você faz com seus filhos para ser uma mãe presente mesmo trabalhando fora? Do que você não abre mão?

– Brincamos muito, fazemos coisas diferentes nos fins de semana, leio histórias ao dormir, oramos juntas, nosso jantar também é algo que sempre fazemos juntas.


 

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