Maternidade

Repita comigo: “vai passar!”

Muitas pessoas quando estão vivendo uma situação pela primeira vez, algo desconhecido, ficam assustadas. Imersas naquela nova realidade, não conseguem enxergar o todo, acabam se frustrando e não conseguem racionalizar. O que era pra ser uma gota vira um copo transbordante.
Eu percebo que isso acontece muito frequentemente na maternidade. Aquele choque de realidade logo que o bebê nasce assusta qualquer pessoa, é muita novidade ao mesmo tempo. Tudo é potencializado, as emoções, as responsabilidades e os medos. E para piorar, a quantidade avassaladora de informações, dicas, relatos, conselhos e ideias é de pirar as melhores cabeças.

Lembro de ter ficado apavorada quando o Daniel nasceu e não pegava o peito corretamente pra mamar. Isso durou 3 ou 4 dias e passou, mas até lá foram dias intensos de muita angústia. 

Mais tarde, quando ele tinha uns 6 meses, começou a só dormir no colo! Que desespero, parecia que eu tinha perdido tudo que conquistei até então. Isso durou umas duas semanas 🙄 Passou. Depois, tivemos outras mil situações novas: introdução alimentar, retorno ao trabalho após a licença maternidade, desmame, aprender a andar, falar, comer sozinho, ir para escola…e por aí vai. Em breve o desfralde, o adeus à chupeta, o leite no copo e não mais na mamadeira, a transição do berço pra cama, as primeiras lições de casa, as festinhas dos amigos da escola, enfim. 

Cada fase nova vem com uma dose de ansiedade, alegria e medo. Mas em tão pouco tempo o que aprendi que mais tem feito sentido pra mim é que tudo, absolutamente tudo passa. Mesmo que a situação em si não mude, a forma como a gente lida com ela passa. Por isso não vale a pena se entregar ao sofrimento, a ansiedade e ao medo. Apesar de legítimos, eles podem se tornar uma arapuca para tirar nossa alegria de viver a maternidade como ela é.

Carreira, Maternidade

Dos valores e riquezas desta vida

Este ano completei dez anos de mercado de trabalho formal. Tô ficando velha…😝Desses dez, são sete trabalhando no mercado financeiro e cinco deles diretamente na área de negócios.
Parte do meu tempo estou no escritório e outra parte nos clientes, ouvindo as necessidades, discutindo ideias, pensando em alternativas para viabilizar projetos milionários e investimentos desafiadores.
Quando menina, nunca imaginei que um dia lidaria com valores tão altos e relevantes, e com tanta responsabilidade. Mas depois que fui mãe descobri outros valores e responsabilidades tão grandes quanto aqueles, com os quais preciso lidar dentro de casa, em família, e que nada tem a ver com dinheiro.

Tenho agora em minhas mãos a missão mais desafiadora e valiosa de todas: educar o meu filho. E terei feito isso com sucesso quando perceber que ele aprendeu que só há um (O) caminho por onde andar.

As habilidades e competências que eu preciso para desempenhar bem o meu papel das 8h às 17h não me qualificam para cumprir com êxito a missão de transmitir ao meu filho os valores que acredito serem fundamentais para a vida. E para isto eu busco a capacitação direto da fonte, Cristo.

A maior riqueza com a qual eu trabalho diariamente está aqui dentro de casa.

Maternidade

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Para algumas mulheres a maternidade é pesada, para outras é uma fonte de energia.

Para algumas mulheres, ter um filho é o maior sonho da vida, para outras o maior susto.

Para algumas mulheres, um filho só é suficiente, para outras, quatro ainda é pouco.

Para algumas mulheres, voltar a trabalhar após a maternidade é fundamental, para outras é impossível.

Para algumas mulheres, conversar é tão necessário quanto comer, para outras o silêncio satisfaz.

O bonito disso é que todas elas, sem exceção, precisam ser respeitadas em suas decisões e sentimentos. Vamos juntas porque assim somos mais fortes.

Maternidade

“Mamãe, eu te amo”

Mamae eu te amo

Até hoje a tarde eu estava achando que ontem tinha sido um dia especial, marcante por ter sido o primeiro dia de aula do Daniel.

Mas hoje, hoje foi o dia mais especial da minha vida desde que ele nasceu!Chegando em casa depois do nosso segundo dia de adaptação escolar, peguei ele no colo saindo do carro e quase entrando em casa ele me abraçou forte e disse “mamãe, te amo”😭😭😭.

Não consigo descrever o que passou pela minha cabeça naquele segundo, o meu mundo parou. Comecei a sorrir, gritar e a chorar de emoção. Ele percebeu que aquilo havia sido muito especial

 

Maternidade

Maternidade: simples para quem?

Maternidade simples tá na moda. Todas nós queremos ser mães descomplicadas e viver uma “maternidade leve”.
Mas ô coisa difícil essa, né? Já começa a não ser simples na gravidez…são tantos medos, dúvidas, sensações, ansiedade com o parto e com a saúde do bebê. 
Depois que eles nascem então, nem se fala. Amamentação exclusiva ou fórmula? Vamos dar chupeta ou correr o risco dele pegar o dedo? Introdução alimentar tradicional ou BLW? Cama compartilhada ou berço ? Vai ficar na escolinha ou com babá?

Isso sem falar do mais difícil, que é educar, dizer não, lidar com as birras. Como diz uma amiga minha, maternidade é igual videogame, cada fase que passa fica mais difícil.

Definitivamente a maternidade não é algo simples, mas acredito que todas nós sabemos como simplificar a forma com que lidamos com ela. Mas nunca subestime a cabeça de uma mãe, ela sempre pode complicar mais ainda o que já não era simples.😆🙋🏻

Carreira, Maternidade

Maternidade + Carreira = ?

Quando o assunto é maternidade e trabalho, a primeira coisa que vem à pauta nas discussões é como conciliar as duas coisas. Esses dias perguntei ao guru Google o que ele tinha a me dizer sobre “mães e profissionais”. Pareceu que eu tinha digitado “mulher maravilha” ou “super heroína”. Da primeira página inteira de resultados não deu para aproveitar nada. Pelo menos não para o que me interessa sobre o tema.

Histórias de mulheres bem sucedidas profissionalmente a gente ouve com bastante frequência nos dias de hoje. Relatos de mães dedicadas e realizadas em sua função materna não faltam por aí. O ponto é que (quase) ninguém está falando sobre o meio do caminho, aquele lugar entre a mulher workaholic e a mãe que abriu mão da vida profissional para cuidar dos filhos.

E acho que o motivo deste vácuo é que o meio do caminho é muito largo, é amplo demais para ser definido por terceiros. O que é equilíbrio para uma pode não ser para outra. Algumas estão ali caminhando simplesmente porque não tem opção, outras porque se sentem completas exercendo outros papéis além da maternidade.

Pra mim, a questão é mais do que como conciliar casamento, filhos e carreira, é sobre quanto custa conciliar. Qual o preço de ser uma mulher-esposa-mãe-profissional? O meio do caminho é o lugar onde esta conta fecha, e só você mesma é capaz de calcular.

Maternidade

A metamorfose da maternidade


Não é uma tarefa fácil para a maioria das mães ficar longe dos filhos pequenos por muitos dias, e comigo não é diferente. Sinto saudade, sinto falta, acho a casa vazia e silenciosa um tédio e totalmente sem sentido.

Mas o curioso é que até outro dia vivíamos assim, só nós 2, e felizes. Como é possível aquela vida ter ficado tão sem graça e sem propósito quando comparada com a vida com filhos? O que fazíamos com tanto tempo livre? 
Acho incrível perceber como os filhos mudam a nossa vida por completo em tão pouco tempo. E não mudam apenas o nosso sono, nossa liberdade, nossa rotina. Eles mudam quem somos. Mudam a forma como vemos o mundo, como trabalhamos, como sonhamos. O que acontece em nós é uma verdadeira metamorfose.

Assimilar essas mudanças não é algo simples, nem rápido. E o processo de se (re)conhecer, se (re)descobrir e se (re)encontrar como casal depois da maternidade/paternidade pode ser mais sofrido para algumas famílias do que para outras.

Por isso, acho super saudável essa reflexão, principalmente se ela for feita a dois, como casal, como uma família buscando colocar as prioridades em seus devidos lugares. 

Não abra mão desse tempo, afinal quando os filhos forem embora, restarão vocês dois novamente e a casa vazia será preenchida com aquele amor que a fez ficar cheia por tantos anos.

 

Maternidade

Cansei das mães cansadas

Faz tempo que venho pensando sobre esse assunto e confesso que tive receio de escrever antes e ser mal interpretada. Acho que ainda corro esse risco, mas resolvi compartilhar porque as ideias me parecem mais claras agora.

Há algumas semanas saiu uma pesquisa no Brasil feita com mais de mil mães, todas maiores de 18 anos, cujo resultado mostrou que 2/3 terços delas consideram a rotina difícil, exaustiva ou impossível. Eu sinceramente não acho que precisamos de uma pesquisa para saber que a rotina da maioria das mães é árdua, apesar de acreditar que isso é algo totalmente subjetivo. Cada uma tem uma realidade e o que é fácil para uma pode não ser para outra.   

Mas o que me incomoda mesmo é a afirmação que está por trás da pesquisa, a de que há uma discrepância entre o discurso padrão da maternidade sonhada com a vida real enfrentada pelas mães. E digo que me incomoda porque quando escuto isso, fico me perguntando: mas quem disse que seria fácil? Com base em que a gente se engana achando que ter filhos será um mar de rosas?

Pra mim era tão óbvio que ia dar muito trabalho, que o meu sono não seria o mesmo, que mudaria o meu corpo, o meu casamento, meu trabalho e as minhas relações pessoais. Mas mesmo assim eu quis ter, mesmo ouvindo das pessoas sobre todas as mudanças, eu teria que viver minha própria maternidade para saber de fato como é. Mas de jeito algum posso dizer que eu sonhava com outra coisa, ou que fui enganada pelas expectativas.

Já fui confrontada por algumas pessoas dizendo que eu só falo e mostro as coisas boas e escondo as dificuldades e o lado obscuro da maternidade. Eu sinceramente acho que é porque eu acredito e vivo muito mais as coisas boas do que difíceis e, graças a Deus por isso, não é mérito meu. Mas quando eu decidi tornar pública a minha experiência de ser mãe eu preferi fazer isso tentando inspirar as mulheres, trazendo um tom mais prático e desencanado em vez de criar mais um espaço com foco em lamento e frustrações, mesmo que elas também existam por aqui.

Carreira, Maternidade

Trabalho e maternidade: existe plenitude sem culpa?

Tenho conversado com muitas amigas e conhecidas sobre os desafios de ser mulher nos dias de hoje. E o que tenho percebido é que, na maioria dos casos, as mulheres gostam muito de ser mães. Não o tempo todo. Mas também tenho constatado que elas gostam de trabalhar, de produzir. Também não o tempo todo.

O problema é que o mundo, na configuração atual, não tem permitido que nos sintamos plenas como mães. Nem como profissionais. (E muito menos como esposas). E a principal causa disso é a famosa culpa. Culpa de nunca estarmos inteiras nem aqui nem ali; de sentir que estamos sempre devendo para alguém e que será impossível conciliar todas as tarefas. 

Estar no trabalho com a cabeça nos filhos e chegar em casa ansiosa e preocupada com as questões do trabalho é a combinação perfeita para destruir as bases que estamos tentando construir para colocar de pé essa vida (nada simples) de ser uma mulher 3 em 1. Por um lado, esse desequilíbrio pode tirar totalmente o seu foco durante a jornada de trabalho, e por outro, pode deixar os filhos com aquela sensação de que estão competindo com o seu trabalho quando estão com você. E as coisas não precisam ser assim. 

Precisamos nos sentir inteiras!
Não estar aqui querendo estar ali. Quando as coisas se misturam nesse nível, as chances de sermos bem sucedidas nas tarefas às quais a gente se propôs são mínimas. Estar inteira é um dos grandes segredos das mulheres que constroem e conseguem boas performances, seja na vida profissional, ou na vida familiar.

Ninguém merece conviver com alguém no trabalho que vive falando dos filhos, reclamando que trabalha demais e não tem tempo para ficar com eles, que atende telefonemas de casa o tempo todo para resolver assuntos da vida pessoal. E nenhum marido, nem os filhos, merecem dividir a atenção da mulher com assuntos e afazeres do trabalho, enquanto tentam curtir o momento em família.

Encontrar esse equilíbrio é o nosso maior desafio enquanto quisermos trilhar essa tripla jornada.  Portanto, temos que nos  organizar melhor, planejar nosso tempo em cada tarefa e recrutar parceiros para nos ajudar,  seja em casa ou no trabalho. Nós sabemos exatamente aquilo que podemos delegar e o que não queremos ou não podemos deixar de fazer, basta exercitar.

Maternidade

Deixando o bebê com os avós

Sobre a semana em que o Daniel passou com os avós.

Logo que a ideia surgiu achei bem improvável que eu conseguisse ficar uma semana longe  dele.Deixá-lo no Rio, mesmo que com os avós, me trazia um medo enorme, tanto da violência quanto da separação em si.

Pois bem, fui trabalhando a ideia e depois que tomamos a decisão até que foi relativamente “fácil”. Na hora H foi difícil, claro, mas nos dois primeiros dias eu fiquei bem tranquila.

Só de não ter que sair do trabalho correndo, jantar correndo, tomar banho correndo e cumprir toda aquela rotina do bebê (ainda por cima sem o papai em casa) já estava sendo um luxo pra mim. Sem contar o aproveitamento intenso do tempo livre!

Mas no final do terceiro dia , resolvi fazer um Skype com meu pai para ver o Daniel. Que péssima ideia! Era melhor ter ficado só nas fotos e vídeos do zap…😓 ele sorriu 5 segundos e depois começou a chorar, mas um choro sentido, de fazer beicinho. Morri. Chorei do outro lado e me bateu um desespero, uma super culpa e um pensamento: o que eu fiz com o meu filho? Que péssima mãe eu fui quando decidi deixá-lo lá.

Apesar de saber que ele estava super bem e o choro foi “só” porque me viu e ouviu minha voz, fiquei pensando no real impacto emocional que a separação poderia estar causando nele (e ainda não sei se isso é mensurável).

A saudade dele me dominou por completo e eu só pensava em chegar logo sexta para vê-lo novamente, sentir aquele bafinho de baba e cheirar o cangote mais delicia do mundo.

Quando finalmente esse momento chegou, houve uma mistura de alívio e uma sensação de que havia encontrado outro bebê, diferente do que deixei. Como se eu tivesse passado meses longe dele, coisa louca, meio inexplicável. Coisa de mãe, né?

No final das contas, acho que o saldo foi positivo, saímos mais fortes após esta experiência e os avós e titia desfrutaram bastante do Daniel e vice versa. É nessas horas que o velho e bom ditado que “filho a gente cria pro mundo” faz sentido e dói na alma.